Editorial

A grande operação de 9 de abril de 2021: “O Taquaryense” reforça seu secular maquinário

Vinda de São Paulo, linotipo permitirá que, com o mesmo formato, o jornal continue contando e fazendo história

No braço de um possante caminhão-guindaste, desceu pelo telhado da tipografia, no último dia 9, a mais nova integrante da jurássica maquinaria de “O Taquaryense”: uma linotipo, invento revolucionário de Ottmar Mergenthaler em 1886, um ano antes de Albertino Saraiva tirar do prelo a primeira edição de seu jornal.

Da capital paulista, o equipamento de composição mecânica saiu no dia 7, chegando a Taquari no meio da tarde daquela histórica sexta-feira. Às 17h, teve início a grande operação para colocá-lo dentro das oficinas do único periódico latino-americano ainda montado no sistema de Johannes Gutenberg, o “pai da imprensa”.

A rua principal da cidade parou no trecho em que flanqueia a praça São José. O caminhão avançou pelo jardim do semanário sobre pranchas e, devidamente patolado, começou a içar o robusto e fabuloso engenho de uma tonelada e meia, preso por resistentes cintas, rumo ao topo da frontaria do prédio. Dali, esticando-se vagarosamente, o braço hidráulico levou-o até o recorte feito no telhado e o fez penetrar na tipografia, quando o relógio da velha Matriz já dera as seis badaladas.

Atraindo a atenção de quem transitava pelas proximidades, a complexa operação mobilizou mais de uma dezena de pessoas, entre operários e voluntários, tendo sido registrada em fotos e filmagens.

Concluídos os trabalhos para acomodar a máquina em sua nova morada, o passo seguinte foi repor as telhadas extraídas. Mas, ainda com o teto recortado e a luz do entardecer a clareá-la, a sede do jornal recebeu visitantes curiosos em ver de perto a “oitava maravilha do mundo”, conforme Thomas Edison referiu-se certa vez à linotipo.

A noite já havia caído quando a rede elétrica foi religada e o telhado de zinco, fechado. Ao longo da semana que se seguiu, as tábuas do forro voltaram a ser pregadas, a fiação interna foi reajustada e o ambiente tornou a ficar limpo e organizado.

Adesão à linotipia

A máquina vinda de São Paulo, fabricada nos Estados Unidos, descansa ao lado da Marinoni velha de guerra, impressora francesa na qual o periódico é rodado desde 1910. Ainda não foi posta a funcionar, devendo ficar em condições de uso até julho, mês em que o jornal ingressará em seu 135º ano de existência.

Dotada de um teclado parecido com o de uma máquina de escrever, a linotipo vai agrupando as letras (matrizes) à medida que o operador digita o texto. Uma vez preenchida a linha, esta é enviada para receber o chumbo derretido na caldeira, saindo da fundição pronta para ser paginada e impressa. Na sequência, as matrizes sobem ao distribuidor, que as devolve ao depósito (magazine). Tudo isso em poucos segundos. É a chamada “composição a quente”.

Abandonará “O Taquaryense” com isso o sistema gutenberguiano, ao qual se mantém fiel desde sua fundação no longínquo século XIX? Não. A adesão à linotipia visa justamente a preservá-lo. Sucede que os tipos móveis — peças que o tipógrafo precisa juntar, uma por uma, para dar forma aos textos das edições — não são mais produzidos. E os do velho semanário já apresentam acentuado desgaste, inevitável no correr dos tempos, de sorte que, mantida a frequência com que são empregados, estarão inutilizados dentro de 15 anos, numa projeção um tanto otimista.

O genial equipamento de Mergenthaler será destinado à composição dos textos maiores. Os demais, incluindo-se os títulos, continuarão a ser montados manualmente. Assim, será ampliada a longevidade dos tipos, acelerada a preparação do jornal e qualificada a impressão, visto que as linhas fundidas na linotipo estarão sempre novas, refeitas a cada semana, com o reaproveitamento do chumbo.

O velho e desambicioso órgão de imprensa sediado na rua 7, com a recente aquisição, está aparelhado para seguir atravessando séculos, firme na missão de manter viva a chama acesa em 31 de julho de 1887.

Agradecimentos

A seguir, “O Taquaryense” registra o nome das empresas e das pessoas que se fizeram credoras de sua eterna gratidão, pela generosa e valiosa cooperação que lhe prestaram.

Agradece, na figura de seu presidente, Renato Martins, à Certaja Energia, antiga e leal parceira, que adiantou valores ao semanário, possibilitando o pagamento do transporte e de parte da máquina.

Agradece, na pessoa de seu proprietário, Fabiano da Silva Conceição, ao Grupo Chico Florestal, que descarregou o equipamento e o colocou no interior das oficinas do periódico sem nada cobrar.

Agradece, em nome de seu diretor, Roberto Ferreira, à OIW Telecom Solutions e ao deputado Pedro Westphalen, que responderam prontamente à solicitação de ajuda, destinando recursos.

Agradece a Wanda Saraiva Kern, neta do fundador Albertino e colaboradora sempre presente, que se comprometeu a custear o novo calçamento e a reconstrução do muro demolido para a entrada do caminhão.

Agradece a Ênio Pereira Flores e a Daniel Freitas, que realizaram o fechamento do telhado e a religação da rede elétrica.

Agradece a José Gleci Goethel, que gratuitamente disponibilizou um andaime e uma serra elétrica, de grande utilidade nos trabalhos de remoção e de reposição do telhado e do forro.

Agradece, nas figuras dos coordenadores de Obras, Ciro Lopes, e de Trânsito, Cleonice Almeida, à administração municipal, que cedeu as pranchas utilizadas no descarregamento da linotipo e providenciou os cavaletes para a interrupção do trânsito.

Agradece a Maria Gabriela Cardoso Dias e a Maria Flávia Dias Flores, trinetas de Albertino, que registraram toda a operação em fotos e vídeos.

Agradece ao confrade e vizinho “O Fato”, que também acompanhou a operação, tendo publicado matéria sobre mais esse importante capítulo da história do secular veículo de comunicação.

Agradece, enfim, à equipe da tipografia, reforçada por voluntariosos e prestativos amigos do jornal, e a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, participaram dessa empreitada. A cada um, “O Taquaryense” terá sempre a dizer “muito obrigado”.

Doações

Para fazer frente às despesas com assistência técnica, materiais e equipamentos necessários para o funcionamento da máquina, o semanário faz um apelo a todos os que puderem auxiliá-lo com doações, não importando a quantia.

Todo valor é bem-vindo para que o sonho possa ser totalmente concretizado. O mais importante já foi alcançado: a linotipo está aqui. Agora, o objetivo é instalá-la e tê-la em pleno funcionamento, estimando-se para isso um gasto de R$ 5 mil.

Para colaborações, a conta de “O Taquaryense” é esta (para fazer um PIX, a chave é o CNPJ):

— Banco: 077 (Inter).
— Agência: 0001.
— Conta: 80318070.
— CNPJ: 37722106000109.

Desejando ajudar por outro meio, o colaborador deve entrar em contato pelo WhatsApp (51) 3653-4551, pelo e-mail contato@jornalotaquaryense.com ou pelas redes sociais Facebook e Instagram.

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