Artigo

Quem está certo? Quem está errado? Quem é o culpado?

Prefeito escreve sobre o momento atual da pandemia

ANDRÉ BRITO
Prefeito de Taquari

As pedras são atiradas de todos os lados. Se flexibiliza, é culpado pela contaminação e mortes; se não flexibiliza, é radical e não pensa na economia. Para os céticos e negacionistas, é uma “gripezinha”, culpa dos governadores e prefeitos. Para os médicos infectologistas, é um vírus que se prolifera rapidamente, trazendo danos muitas vezes irreversíveis para a saúde humana. E nesse debate estamos há um ano, politizando, dividindo opiniões, em que alguns emitem conceitos como se grandes estudiosos fossem.

Agora, a realidade nos apresenta a verdade. Estamos vivendo um momento triste, no qual nosso sistema de saúde encontra-se em colapso. Profissionais de saúde retirados das suas merecidas férias, trabalhando 70 horas semanais. Equipamentos que, apesar da duplicação, começam a faltar. Insuficiência de recursos. Aumentos abusivos dos custos de medicamentos e insumos. Empresas fornecedoras de oxigênio trabalhando na capacidade máxima. Estoques chegando a zero. Profissionais da atenção primária auxiliando a média e alta complexidade. Médicos adaptando e utilizando carros anestésicos como respiradores, em falta. Cirurgias sendo suspensas. Enfim, um drama que mais parece um filme de terror.

Alguns, ainda no seu afã político, e com a intenção de negar esta triste história pandêmica que estamos vivendo, afirmam através de palavras odiosas e divisionistas que a intenção dos prefeitos e governadores é ganhar dinheiro, quando, na verdade, gasta-se muito. Gasta-se com a fiscalização. Gasta-se com os kits de medicamentos para pacientes positivados. Gasta-se com a equipe de plantão, que trabalha 14 horas diárias (enfermeira, técnicos em enfermagem e médico on-line). Gasta-se com combustível, equipamentos de proteção e manutenção de veículos.

Gasta-se, ainda, com a compra de equipamentos: somente na última semana foram R$ 80 mil e R$ 122 mil. Gasta-se com custeio: apenas para este mês previmos R$ 200 mil a mais para o hospital, tendo em vista as internações por covid. Gasta-se com horas-extras de profissionais de vacinação. Gasta-se com horas-extras de funcionários que dão suporte ao hospital.

Hoje, estamos com os nossos 10 leitos de UTI lotados e, com recursos da prefeitura, vamos investir na abertura de mais três. Nossa emergência conta com três leitos, e de cinco aumentamos para 12 os leitos clínicos. Tudo isso para amenizar o terror que estamos vivendo.

Cabe a cada um fazer a sua parte. Empatia, solidariedade, respeito ao próximo, união e responsabilidade são palavras que traduzem aquilo que cada um de nós deve ser neste momento. Sem divisões e sem oportunismos.

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