O que a base do iceberg esconde

TIAGO RODRIGUES
Presidente da ONG Os Salvadores

Vivenciamos diariamente situações inusitadas em nosso município. Desde o pedestre que passa ao lado e não sobre a faixa de segurança até o motorista que, apesar de ter sido treinado, não utiliza a seta para indicar antecipadamente seus próximos movimentos.

São “pequenos” detalhes que podem provocar graves acidentes, inclusive mortes de entes queridos, amigos e conhecidos. Para algumas situações assim, contamos com nossos parceiros da Brigada Militar, que, ao presenciarem tais fatos, tentam reeducar os usuários.

Esses “pequenos” detalhes descritos anteriormente são percebidos pela maioria da população. No entanto, temos muitos outros detalhes que precisam ser notados. No último mês, tenho percebido a comunidade de Taquari postando nas redes sociais imagens de cavalos soltos nas ruas, por irresponsabilidade dos proprietários. Mas e os inúmeros cães e gatos que são criados pelos próprios donos nas ruas do município, quando serão percebidos pela maioria da comunidade?

Ressalto que nenhum animal é culpado por tal situação. Nossa maior liderança, o prefeito, foi questionada nesta semana, em uma de suas lives, sobre os animais soltos e negou qualquer responsabilidade, passando a “bola” para a Brigada Militar e para a Polícia Civil. Porém, a lei municipal nº 2.994/2009, nos artigos 74 e 75, diz que os animais encontrados em vias e logradouros públicos serão recolhidos pela municipalidade.

Sei que temos inúmeras situações que precisam ser resolvidas com mais urgência. Mas quando teremos a empatia de nossas lideranças para com a vida não apenas dos animais que morrem em acidentes, mas também com a das pessoas? Devemos esperar nossos familiares, amigos e conhecidos morrerem em graves acidentes para então buscar uma solução?

Nosso município tem plena capacidade de montar uma sala de castração (a fim de diminuir o número de cães e gatos soltos em vias públicas), bem como de criar leis que não só responsabilizem os donos dos animais, como de fato contemplem a questão de vulnerabilidade social enfrentada por essas pessoas.

Sem dúvida, existem em nosso município pessoas dispostas a ajudar a solucionar tal questão. Porém, enquanto a sociedade como um todo e as lideranças de nossa cidade (vereadores e prefeito) não entenderem que os animais são apenas a ponta do iceberg, não poderemos enfrentar essa situação.

A pandemia está nos mostrando pessoas e empresas solidárias auxiliando seu próximo. Mas está na hora de atendermos aqueles que são “invisíveis” em nossa sociedade, incluindo os animais abandonados. O Instituto Os Salvadores, entidade que represento, conclama a todos para arregaçarem as mangas e assumirem suas responsabilidades.

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