Empresa recebe licença para transformar resíduos hospitalares em combustíveis

Sistema deve entrar em operação dentro de três meses em Taquari

Máquina de conversão energética
Foto: Divulgação/Fepam

A Bender Inovações Tecnológicas (Beintec) recebeu, no último dia 9, licença emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) para utilizar tecnologia que transformará resíduos hospitalares em combustíveis alternativos.

Localizada em Taquari, a empresa processará diariamente até cinco toneladas de lixo por pirólise (decomposição térmica). O sistema deverá entrar em operação dentro de até três meses. Agora, a Beintec analisará os protocolos de intenção de destinação dos hospitais para o recebimento dos materiais.

A tecnologia da pirólise não libera substâncias nocivas ao ambiente por ser um processo fechado. Seu uso contribui para a redução de geração de gases poluentes, como o metano e o gás carbônico (principais agentes do efeito estufa), evitando, por exemplo, que os resíduos acabem em aterros sanitários.

De acordo com o proprietário da Beintec, Felipe Bender, a empresa realiza estudos e testes desde 2007. Observando o volume crescente de resíduos hospitalares e industriais, Felipe percebeu o que já era de conhecimento dos especialistas: os aterros sanitários são a forma mais precária de tratar o lixo, já que acabam por afetar grandes áreas territoriais, e nem sempre há controles efetivos de poluição do solo e do ar.

Assim, Bender desenvolveu um equipamento que converte os rejeitos em combustíveis alternativos com valor comercial agregado, como diesel, gasolina e gás natural, eliminando o descarte de outros resíduos no pós-processo. “Como se trata de um processo não poluente comparado àqueles utilizados atualmente, desperta grande atenção do ponto de vista científico. Saliento que nosso balanço energético é positivo, produz mais energia do que consome.”

Como funciona

Os resíduos são inseridos numa máquina de conversão energética, construída pela própria Beintec e ativada a partir de catalisadores. Os materiais são tratados conforme suas classificações, passando por um processo de moagem, para aumentar a densidade. Em seguida, são encaminhados para o reator termoquímico, no qual ocorrem as reações de volatilização (estado líquido para gasoso) e de fusão.

O resíduo inserido, somado ao catalisador, age no reator termoquímico em temperatura entre 200°C e 350°C. Nesse momento, acontece uma série de reações a produzir gases que, condensados e separados, se tornam produtos petroquímicos, como gasolina, nafta, querosene de aviação e diesel. Os produtos podem ser utilizados como combustíveis alternativos em veículos e na geração de eletricidade.

Os gases não condensáveis são empregados, em parte, no próprio reator termoquímico. As sobras viram combustíveis que podem ser usados para a geração de energia elétrica no acionamento da máquina ou vendidos para empresas e fornecedores.

A Fepam vem acompanhando o desenvolvimento e a instalação do sistema. Para Felipe Bender, a atuação dos técnicos da fundação é primordial. “Juntos, estamos verificando se o trabalho está adequado a todas as normas vigentes, para que, no futuro, possamos atender não só a demandas do estado, mas também do país.”

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