Da Austrália, ex-moradora de Taquari fala sobre pandemia

Caroline Kern vive em Sydney há cinco anos

O quarto depoimento da série “Pelos Cinco Continentes” foi enviado a “O Taquaryense” da Austrália. Mais precisamente, de Sidney, onde Caroline Kern, 26, vive há cinco anos.

Natural de Porto Alegre, ela morou em Taquari dos nove aos 15 anos. Seus avós residem no município. A seguir, Caroline relata como está sendo enfrentar, longe da família, as dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus.

Na Austrália, onde a porto-alegrense estuda, 6.606 pessoas já contraíram o vírus e 70 morreram. Lá, o isolamento social teve início há quatro semanas.

“Na primeira semana, o baque foi muito forte”

Caroline

Eu estava trabalhando num café e num bar. Era garçonete no café e bartender à noite. Infelizmente, perdi os dois trabalhos, assim como a maioria das pessoas aqui em Sidney que trabalham com hospitality. Restaurantes, cafés, bares, tudo está fechado. Alguns estão abertos ainda para take-away. Então, as pessoas podem ir para pedir e levar para casa, para delivery. Mas só ficaram gerentes. Reduziu o número de funcionários, reduziu muito o número de staff, de forma que a gente perdeu os trabalhos.

O custo de vida aqui é super alto. A sorte que eu tinha trabalhado bastante, guardado algum dinheiro, mas tem muita gente voltando para o Brasil. Só que está complicado, porque tem essa questão dos voos, muitos estão sendo cancelados. Inclusive, tenho um amigo turista que precisou ficar um mês a mais aqui em função disso.

Sobre minha rotina, na primeira semana, o baque foi muito forte, porque sempre tive a rotina muito cheia, sempre tive minha vida muito ativa, trabalhando bastante. Saía do trabalho e ia tomar uma cerveja com os amigos, sempre ia fazer alguma coisa. Como trabalhava no centro da cidade, sempre tinha uma coisa para fazer. Então, eu nunca parava. Ou era almoço ou janta na casa de alguém.

Durante a semana, quando percebi que ia ficar sem trabalho, disse: “Meu Deus do céu!”. Como é tudo semanal, tudo acontece muito rápido e intenso por aqui, acho que o principal é começar a colocar a cabeça no lugar, sabe? Comecei a cuidar um pouco mais de mim, sobretudo a parte mental. 

A gente ainda pode sair para fazer exercícios, respeitando as regras. Existem 12 motivos que podem ser dados para o governo. Se eles nos param na rua, temos esses motivos para justificar. Do contrário, a multa é de mil dólares. Dependendo da situação, se é na casa de alguém, a multa pode chegar até a 11 mil dólares.

Acordo de manhã cedo, faço minha meditação e saio para caminhar. Foco em outras coisas. Estou procurando trabalho. Por exemplo, em mercado, eles estavam pedindo bastante. Aparentemente, algumas coisas vão começar a voltar no fim deste mês, e assim espero, porque preciso de trabalho. Vamos ver como vai ser.

Está bem difícil a situação, economicamente falando. Tenho uma amiga que pegou o vírus aqui, e a situação dela ficou complicada. Acontece que ela literalmente não podia sair de casa, e aqui a gente divide a casa com outras pessoas. Então, fica bem complicado.

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