Da Califórnia, taquariense relata rotina durante pandemia

Depoimento abre série que trará um relato por dia

Dezenas de taquarienses espalhados pelo mundo acompanham e enfrentam as consequências da pandemia do novo coronavírus (covid-19). O número de casos confirmados da doença ultrapassou dois milhões nesta semana; o de mortes, 128 mil. A contabilização é feita nos Estados Unidos pela Universidade Johns Hopkins, cujos registros são considerados mais dinâmicos do que os da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A pedido de “O Taquaryense”, ex-moradores do município contaram detalhes do dia a dia vivido em seus países. Nos depoimentos, falaram sobre as restrições impostas pelo governo, as dificuldades encaradas e detalharam suas rotinas.

Na abertura da série “Pelos Cinco Continentes”, o relato vem dos Estados Unidos, atualmente o país com maior número de casos — mais de 600 mil confirmados e 25 mil mortes.

Quarentena na Califórnia

Por Juliane Flesch Flores, 28 (gerente de conteúdo e comunidade na empresa Mighty Health, de São Francisco)

Juliane

Estamos oficialmente confinados desde 16 de março, mas, alguns dias antes, como já ouvíamos os rumores da covid-19 e eu apresentava alguns sintomas de gripe, decidimos fazer a nossa parte e não sair de casa desde 9 de março. Os rumores começaram, e, em seguida, o papel higiênico acabou em supermercados e farmácias. Antes mesmo de vir uma ordem de lockdown, as prateleiras já estavam vazias.

Não foi só o papel higiênico que faltou. Remédios para gripe e tosse também acabaram, assim como todos os tipos de enlatado e comidas não perecíveis. Confesso que não sofremos com a escassez dessas coisas, já que no geral comemos vegetais, saladas e carnes frescas, e isso não faltou nos supermercados. Tive a sorte de ter alguns rolos de papel higiênico em casa. Então, não precisei me desesperar. Tive amigos que ficaram sem…

Vale dizer que, antes mesmo da ordem de lockdown, as empresas de tecnologia já haviam dispensado os seus funcionários para trabalhar de casa. A nossa rotina não mudou muito. Não temos escritório, e a nossa empresa sempre trabalhou remotamente. A única coisa que mudou foram os encontros semanais que fazíamos com o pessoal daqui. Temos duas pessoas no time de desenvolvimento no Brasil. Aqui em SF, somos quatro; em NY, um.

No sentido de trabalho, nada mudou. Seguimos trabalhando na nossa rotina normal, em casa. O lockdown funcionou muito bem aqui em SF e região. Todos os restaurantes fecharam para o público, mas continuaram com delivery e takeout. Farmácias e supermercados continuaram funcionando normalmente também. Tudo muito organizado. No mercado, entram poucos por vez, e é feita uma fila bem espaçada do lado de fora. Quando chega a tua vez, tem um funcionário (usando máscara, luvas) que te passa o carrinho ou cesta já higienizados e te dá um lenço umedecido para higienizar as mãos. Todos da fila precisam passar por esse processo. Quando sai um do mercado, entra o próximo da fila. Eles também tem um horário reservado para os idosos.

Aqui eles aconselham a prática de exercícios na rua, desde que se cumpra o requisito de distância social. Assim, é normal ver as pessoas caminhando, correndo e passeando com os seus cachorros, sempre usando máscaras, luvas e, no máximo, em duplas. Cabe mencionar que, nas primeiras duas semanas, não se via movimento nenhum. Agora, está começando a aumentar, mas ainda nada comparado ao normal. No geral, a população cumpre à risca o distanciamento social, e não se veem pessoas conversando na rua ou fazendo qualquer outra atividade.

Eu, na semana passada, tive um problema com o meu cachorro, o Elvis, e precisei levá-lo à emergência. No hospital veterinário, eles também seguem todo o protocolo de social distance. Estacionamos o carro, ligamos, explicamos a situação, e a veterinária vem até o carro, de máscara e luvas, e leva o cachorro para dentro do hospital. Lá fazem os exames e, logo em seguida, ligam e conversam contigo sobre a situação. O pagamento é feito da mesma forma, tudo por telefone.

Todas as nossas consultas médicas foram adiadas para o final de abril, e todas as dúvidas podiam ser sanadas através de teleconsulta. Saímos apenas para fazer mercado e alguma emergência. No dia a dia, caminhamos normalmente pelo condomínio com o Elvis, seguindo as regras de social distance. Confesso que sentimos falta de viajar no final de semana e fazer atividades com os nossos amigos daqui, mas faz parte.

O número de casos em SF está baixo, e a curva, controlada. Hospitais estão vazios, e acredito que não vá demorar muito para tudo isso passar. É importante frisar que a situação dos EUA não é toda assim. Estou falando apenas da situação de onde eu moro.

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