O taquariense que, há duas décadas, conquistou a América

Ex-lateral Tiago Silva relembra maior feito da carreira

Elenco campeão da Libertadores de 1999 foi homenageado pelo Palmeiras neste ano | Foto: Divulgação/Palmeiras

Tiago Silva dos Santos era um dos tantos meninos de sua época que sonhavam em seguir carreira no futebol. Seu destino, porém, não seria o mesmo da maioria daqueles que compartilhavam com ele o desejo de ganhar a vida chutando a redonda. Desde cedo, o filho de seu Manoel e dona Cleci tinha consciência de que, para chegar lá, precisaria ralar um bocado.

Foi com esse pensamento que, em 1996, Buiú (apelido dado por amigos) vestiu pela primeira vez a camisa do Pinheiros. Na base alviverde, iniciou sua trajetória bem-sucedida dentro das quatro linhas.

O verde foi sua cor da sorte. Aos 17 anos, o lateral esquerdo se transferiu do Pinheiros para o Juventude e, com o clube de Caxias do Sul, sagrou-se campeão gaúcho em 1998, despertando o interesse de ninguém menos que Luiz Felipe Scolari. “Felipão vinha me acompanhando e indicou minha contratação à Parmalat (patrocinadora do Palmeiras à época) para integrar o projeto Libertadores 99″, recorda, duas décadas depois, o hoje empresário da construção civil.

Novo patamar

E, do alviverde de Caxias, o taquariense rumou para o alviverde de São Paulo. “Lembro que o professor Murtosa me buscou com seu Monza em Congonhas e foi me botando pressão durante todo o caminho. No CT, me deparei com o Paulo Nunes chegando atrasado e me dando as boas-vindas. Scolari foi me buscar no vestiário, colocou o braço em meu ombro e atravessou o campo me explicando da grandeza do Palmeiras, que ali era o topo no Brasil e que dali somente para fora.”

No mesmo ano em que venceu o Gauchão, Buiú comemorou, com o novo clube, os títulos da Copa do Brasil e da Copa Mercosul. O melhor, no entanto, estava por vir. Em 1999, o lateral festejaria o maior feito de sua carreira: a conquista da sempre cobiçada Copa Libertadores da América.

Daquela campanha vitoriosa, a recordação mais marcante de Tiago remete à partida contra o Corinthians, nas quartas de final. “A defesa do Marcos na quinta penalidade, cobrada pelo Marcelinho Carioca, foi um momento especial. Até porque eu era o próximo nas alternadas (risos).” Segundo ele, aquele foi o auge da rivalidade entre palmeirenses e corintianos.

Na semifinal, o time de Felipão passou pelo argentino River Plate e, na decisão, encarou o colombiano Deportivo Cali, faturando a taça nos pênaltis. Decisivo, o goleiro Marcos foi eleito o melhor jogador da competição e ganhou um carro da Toyota, patrocinadora da Libertadores. “O combinado era que, se alguém de nosso time ganhasse, dividiria o prêmio. Pois o Marcos ganhou, e até hoje cobramos nossa parte”, conta Tiago, aos risos.

Dentre os companheiros de grupo, Arce era o mais próximo de Buiú. “O Roque Júnior e o Alex são grandes amigos que tenho até hoje, mas o Arce foi o cara que me buscou e me levou para os treinamentos em meus primeiros seis meses em São Paulo. É um amigo especial.”

O elenco que colocou o Palmeiras no topo do continente mantém contato diário. “Temos o grupo Libertadores 99, pelo qual estamos sempre nos falando.” Em junho deste ano, quando a conquista completou 20 anos, os campeões foram homenageados pelo clube paulista no Allianz Parque, antes da partida contra o Avaí, válida pelo Campeonato Brasileiro.

O Mundial

O título da Libertadores levou o Palmeiras a Tóquio. “Viajamos 20 dias antes para o Japão. Foi feito um trabalho mental muito forte com nosso grupo, e respondemos muito bem, fazendo possivelmente a maior e melhor apresentação de um time brasileiro num Mundial”, avalia Buiú, referindo-se ao confronto com o inglês Manchester United.

Na noite anterior, Felipão havia chamado o lateral esquerdo e pedido que estivesse preparado para sair jogando. “O Beckham era uma das estrelas, e o Scolari estava pensando em me colocar taticamente para equilibrar o setor.”

O Verdão teve um gol mal anulado por impedimento naquela partida. “Criamos inúmeras chances de gol e, por obra do destino, perdemos numa das raras escapadas que o Manchester deu durante todo o jogo.” Passadas duas décadas, Buiú continua com uma certeza: “Poderíamos jogar 24h que a bola não entraria”.

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