Queda do Muro de Berlim — 30 anos

Historiador fala sobre o memorável 9 de novembro de 1989

JOÃO PAULO DA FONTOURA
Historiador, escritor e membro da Alivat

Assim como a Queda da Bastilha simbolizou a Revolução Francesa, a Queda do Muro de Berlim, que no último sábado, 9, completou justos 30 anos, simboliza o colapso do socialismo/comunismo. O muro havia sido construído em 1961, por ordem dos líderes Nikita Kruschev, da União Soviética, e Walter Ulbricht, da Alemanha Oriental, para evitar a fuga dos orientais em direção à Alemanha Ocidental. Berlim, desde sua divisão, foi o epicentro da Guerra Fria, que permeava as relações entre os Estados Unidos e o bloco soviético liderado pela Rússia.

Interessante que poucas pessoas sabiam que Berlim ficava dentro do território da Alemanha Oriental. Tanto que, em 1948, Kruschev, tentando vergar os ocidentais, provocou um grave incidente ao fechar as fronteiras e não permitir que o berlinenses ocidentais recebessem provisões (carvão, alimentos, roupas, etc.) dos ocidentais. Então, os americanos provaram sua determinação e, junto com demais países do bloco livre ocidental, passaram a abastecer Berlim via “ponte aérea” durante um ano. Até que Kruschev desistisse e reabrisse as fronteiras — rodoviárias e ferroviárias.

Com todas as dificuldades de gerir-se uma economia estatizada, a União Soviética, até meados da década de 1980, era a grande rival (militar e economicamente) do “império” americano. Mas a pressão americana (Guerra nas Estrelas), o ativismo do papa João Paulo II e a explosão da economia da China, que mesmo comunista se opunha aos soviéticos, começaram a desmoronar o sistema. As desesperadas reformas impostas pelo líder Mikhail Gorbachev, a Perestroika e a Glasnost, não alcançaram o êxito esperado, pois não fizeram como a China, que segurou a política, mas liberou a economia, atingindo com isso uma explosão no desenvolvimento econômico.

Com o fracasso, houve o início da fragmentação do bloco. Tentou-se manter uma certa união com a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), mas também não deu certo. O muro caiu, os americanos venceram a Guerra Fria (venceram?), as duas Alemanhas uniram-se no ano seguinte, tornando-se uma nação pujante, os sub-blocos comunistas fracionaram-se (Iugoslávia e Tchecoslováquia), gerando novas e modernas nações, ocorreram lamentáveis guerras intestinas, a Rússia se reergueu, e todos adotaram economias abertas, vivendo hoje uma primavera política e econômica.

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