Gilda Rambor recorda os tempos de intensa atuação na vida social de Taquari

Por largos anos, ela colaborou nos bailes de debutantes do Alvi-Negro

Na poltrona de casa, em Triunfo, Gilda folheia álbuns de fotografas que a levam para épocas já distantes | Foto: Anna Precht

Na véspera de mais um baile de debutantes, “O Taquaryense” reproduz a entrevista concedida ao “Primeira Pessoa” por Gilda Oliveira Rambor, que viveu em Taquari de 1956 a 1995. Esposa do cirurgião-dentista Waldomiro Rambor, ela colaborou no Grêmio Recreativo Alvi-Negro durante largos anos. Não só ajudava a fazer as decorações e a pensar a cerimônia dos bailes, como acompanhava as debutantes em sua agenda social.

Na tarde de 24 de setembro, uma terça-feira aprazível, Gilda recebeu a reportagem do periódico em sua residência, na localidade de Porto Batista, em Triunfo, onde vive desde que foi embora de Taquari. A exibir álbuns de fotografias relacionados à temática da conversa, alegou problemas de memória. Não os demonstrou, contudo, ao recordar, do alto de seus 87 anos, os momentos importantes vividos nesta terra e as amizades aqui deixadas.

Gilda ficou viúva em 2006, ano em que ela e o doutor Rambor, como era conhecido, festejaram suas bodas de ouro. Desse duradouro relacionamento vieram Paulo Henrique, André Ricardo, Ana Elisa e Maria Luiza, adotiva. Além dos quatro filhos, a entrevistada tem seis netos e dois bisnetos.

Como era sua vida em Taquari?

Eu era dona de casa, cuidava dos filhos, de minha mãe, Flora, e dos afazeres domésticos. De vez em quando, ajudava o Waldomiro com as próteses. Mas era muito metida [risos], gostava de ajudar. Então, participei de bailes de debutantes, Festas da Laranja, carnavais. Eu fiz muita amizade em Taquari e tenho saudade de minha vida lá, das pessoas com quem convivi mais: a Maria [esposa do Nidinho], a Maria Ermi [Bastos Praia] e a Iema [Pólvora Renner], por exemplo, que moravam perto de mim [na Rua Oswaldo Aranha, esquina do restaurante Batata].

O que a senhora fazia nos bailes de debutantes?

Não era só eu. Era uma equipe. Fazíamos as decorações do baile, pensávamos a cerimônia. Eu também ajudava as meninas na parte social. Aliás, aprendi muito com elas. Cobrava para que assumissem o compromisso, a postura. Dava meus pitacos e acho que elas gostavam, porque me mandavam cartõezinhos de agradecimento. Era muito gratificante, um grande prazer ajudar. Eu fazia aquilo com a maior das boas vontades. A decoração do baile era realizada com flores naturais. Por isso, elas tinham que ser colocadas no dia. Então, eu ia de cabelo enrolado para o clube e decorava o salão. Saía dali, ia para casa, só trocava de roupa e me arrumava um pouco, porque já estava na hora de voltar. Aqueles que já decoraram o debut vão me entender.

De que modo eram preparados os bailes?

Se não me engano, depois de um período sem realizá-los, surgiu a ideia de retomar os bailes de debutantes no Alvi-Negro. Formamos um grupo não grande demais, mas nem tão pequeno, suficiente para dar conta do recado. Sabíamos quem era sócio. Assim, íamos até as famílias que tinham meninas naquela faixa etária e convidávamos para debutar. No começo, até variou a idade. Recordo-me de uma menina que debutou e já tinha quase 18 anos. Depois, começávamos a nos reunir para decidir qual o tema da decoração, o que precisaríamos de material. Então, tudo isso era feito na preparação, um ou dois meses antes do baile. A gente trabalhava junto, madrugada adentro às vezes. Eu me dava com todas da equipe. Lembro-me delas com carinho. Foi uma época muito boa, em que fui muito feliz. Meus filhos já eram todos grandes, e meu marido tinha um gênio ótimo.

Qual sua mais forte recordação desses eventos?

A memória me trai de maneira impressionante, peço desculpa por qualquer imprecisão. Dizer que o baile que mais me marcou foi o da Ana Elisa é chover no molhado, ela é minha filha. Agora, dos outros, gostei muito do baile em que as debutantes carregavam velas e os pares vinham com uma rosa, e então eles trocavam. Eu achei muito legal, porque não eram muitas meninas, e todas se destacaram. Outra vez que me marcou foi quando tingimos as rosas. Não lembro quem fez isso para nós. Deixava-se a rosa branca de molho em um material que entrava pela seiva, e a flor ficava bem azul. Não sei se hoje existe, acredito que sim, mas não é muito comum. Então, nesse ano, decoramos com rosas azuis o Alvi-Negro. Nunca me ocorreu a ideia de fotografar.

A senhora tem algum fato pitoresco dessa época para contar?

A gente se dividia para fazer os convites às meninas. Buscava-se que elas debutassem mais ou menos na mesma época, para não haver muito espaço entre um baile e outro. Um dia, eu e a Maria Ermi fomos até uma casa para os lados da Colônia Vinte, acredito. Ela era mais afastada do portão. Entramos para bater palma, e um cachorro veio correndo em nossa direção. A Ermi se assustou, deu um pulo [risos]. Essa foi uma situação inusitada.

Além do debut, destaca alguma outra atuação na sociedade taquariense?

Eu gostava de colaborar na comunidade, de me sentir útil. Então, também funcionei muito na Festa da Laranja. Elas eram muito bem organizadas. A gente convidava as meninas para o concurso de escolha da rainha da festa, organizava o coquetel e o desfile. Eu cuidava dessa parte. Também ajudava na decoração dos carros alegóricos e orientava as recepcionistas. Foi graças à Festa da Laranja que conheci Brasília em 1985, na viagem de divulgação do evento.

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