Polícia investiga furtos em túmulos do Cemitério Municipal

Somente na última semana, dois boletins de ocorrência foram registrados

Criminosos removeram recentemente todas as fotografias do jazigo da família Voges Cunha | Foto: Anna Precht

A quantidade de danos e furtos ocorridos em túmulos do Cemitério Municipal de Taquari vem preocupando familiares. Registros na Delegacia de Polícia local dão conta da situação.

Somente na última semana, foram feitos dois boletins de ocorrência. Um deles pela aposentada Marila da Silva Silveira, após o aviso de que fotos e crucifixos da sepultura do filho, Márcio, e da sogra, Pacífica, haviam sido furtados.

Na segunda-feira, 7, depois de registrar ocorrência, ela mandou fazer outra foto, de acrílico. A questão, no entanto, não é só material. “Quero saber o que fizeram com a foto de meu filho. Onde já se viu não respeitar nem os mortos?” Marila pretende conversar com o prefeito e frisar a necessidade de vigilância no cemitério.

A também aposentada Adi Pinto lamenta o furto de fotos na sepultura do marido, da sogra e do sogro, percebidos há um mês. “Não entendo para que eles querem essas coisas. Só para destruir? Para vender?” De acordo com ela, a prefeitura precisa tomar alguma providência. “O cemitério está um caos. Acabam as famílias arcando com despesas que poderiam ser evitadas.”

Despesas dobradas, no caso de Ana Cunha Dorneles, alertada por amigas sobre a situação do jazigo da família. “Eu ainda não fui lá, mas me disseram que arrancaram tudo de novo. Primeiro, era de bronze. Depois, coloquei latão. Mesmo assim, levaram.” Agora, Ana se pergunta como conseguirá as fotografias de seus pais novamente. “É uma situação muito desagradável.”

Suspeitos identificados

Conforme a delegada de polícia Betina Martins Caumo, os fatos estão sendo investigados. Ela comenta que, em geral, as famílias detectam o crime muito tempo depois de ocorrido, o que complica a investigação e a recuperação das peças.

Outra dificuldade seria a formalização de prova nesse tipo de crime, que costuma ser cometido na calada da noite, sem a presença de testemunhas. “Mas já há suspeitos identificados”, revela Betina.

Questionada sobre o destino dos materiais furtados, a delegada informa que, segundo apurado, eles são vendidos em reciclagens, já que costumam envolver cobre e alumínio. “Alguns proprietários de reciclagens chegaram a ser inquiridos, mas negaram ter recebido esses materiais em seus estabelecimentos.”

As penas previstas para quem pratica tais atos variam de acordo com o crime que restar configurado. Furto: de um a quatro anos de reclusão. Dano: de um a seis meses de detenção. Receptação qualificada (para aquele que recebe produto oriundo de crime no exercício de atividade comercial ou industrial): de três a oito anos de reclusão.

Betina orienta que as pessoas registrem ocorrência e juntem eventuais elementos de prova, como fotografias.

O que diz a prefeitura

Em nota, a administração municipal afirma que zela pela manutenção e pela conservação estrutural do cemitério. “No momento, não há um funcionário específico responsável pela vigilância, o que geraria custos para a prefeitura num período difícil”, diz parte do texto.

“Contamos com o apoio da comunidade na fiscalização, acionando os órgãos competentes caso testemunhe furtos e demais crimes contra o patrimônio”, finaliza a nota.

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