O misterioso caso da medalha de Cristóvão Souza

Tratador de cavalos integrou a delegação brasileira no Pan de 1959

Relíquia é guardada pela filha de Cristóvão, moradora de Taquari | Foto: Anna Precht

Marta Nívea Bueno Souza assistia às provas de hipismo dos Jogos Pan-Americanos deste ano quando, de súbito, viu-se surpreendida por uma informação. Comentaristas do canal SporTV lembravam que a primeira medalha da modalidade fora conquistada no Pan de Chicago, em 1959. De pronto, veio à memória de Marta uma relíquia que guarda junto com outras lembranças de seu pai, Cristóvão Souza.

A aposentada, moradora de Taquari há 35 anos, não hesitou em procurá-la, para ter certeza dos escritos: “Third Pan American Games, Chicago 1959”. De bronze, a medalha fica dentro de uma caixinha de madeira forrada com veludo azul-marinho. “Ele foi medalhista do Pan”, concluiu. Orgulhosa, mostrou o prêmio a amigos próximos.

Em pesquisa na internet, contudo, terminou por descobrir que a medalha conquistada pela equipe de hipismo, naquele ano, havia sido a de prata. Intrigada, cogitou a possibilidade de o feito do pai não ter sido computado.

COB e o fim da incógnita

Procurado, “O Taquaryense” iniciou uma investigação para solucionar o mistério e entender que medalha era aquela. Contatou a assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e solicitou os nomes dos atletas que conquistaram a prata. Cristóvão não estava entre eles. Mas, já que existia uma lacuna no quadro de medalhas para prata e bronze relativo às provas individuais, a hipótese levantada por Marta ganhou força.

Aprofundando a pesquisa, a reportagem ligou para o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), explicou a situação e pediu a relação de todos os atletas que participaram dos Jogos Pan-Americanos de Chicago. Em e-mail enviado pela entidade no início da última semana, veio a resposta, após consulta na biblioteca do comitê: Cristóvão Souza fazia parte do estafe de tratadores da equipe de hipismo que levou a prata naquela edição. O bronze era de participação.

A informação emocionou Marta. Ela, que tinha apenas um ano quando o pai foi aos Estados Unidos, conta que ganhou dele, como lembrança da viagem, uma boneca Suzi. “Ele gostava muito de falar sobre isso para nós. Tinha imenso orgulho.”

Quem foi Cristóvão

Em todos os quartéis nos quais serviu, o sargento de cavalaria praticou hipismo. Cristóvão Souza também participava dos jogos de polo. Marta lembra que ele era muito cuidadoso com os cavalos, que precisavam estar sempre impecáveis. “Lá em Quaraí, havia muitos campeonatos nas cidades dos arredores, e ele sempre ganhava.”

A filha de Cristóvão se diverte ao recordar que o pai não contava a ela e aos irmãos quando teria provas, para que eles não fossem assistir, uma vez que fugiam da escola. “Não se podia entrar no quartel, só no supermercado, a não ser quando tinha colônia de férias ou esses campeonatos.”

Nascido no município de Quaraí, em 1928, Cristóvão se formou na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), no Rio de Janeiro. Após servir no quartel de Resende, mudou-se para Uruguaiana e, por fim, para Quaraí, onde se reformou. Depois disso, começou a jogar bocha e se tornou juiz da federação estadual. Faleceu em outubro de 1996.

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