Surto de cinomose põe em alerta ONGs de Taquari

Doença se alastra rapidamente entre os cachorros e apresenta índice elevado de mortalidade

Médica veterinária, Luísa Bavaresco atua há mais de oito anos em Taquari e afirma nunca ter atendido tantos casos como agora | Foto: Anna Precht

Dezenas de casos de cinomose vêm sendo registrados no município nos últimos meses. A doença, que é viral, se alastra rapidamente entre os cachorros e tem alto índice de mortalidade.

As ONGs de proteção animal de Taquari estão em alerta. Os presidentes de Os Salvadores e dos Protetores, Tiago Rodrigues e Cleonice Almeida, respectivamente, relatam esse aumento significativo nos casos da doença e acreditam se tratar de um surto.

A veterinária Fernanda Moreira Darley concorda. Atendendo em um agrocentro do município em três turnos da semana, a profissional também clinica em Montenegro e diz que lá os casos também têm aumentado; por isso, acredita ser um surto regional.

Há mais de oito anos atuando em Taquari, a médica veterinária Luísa Bavaresco revela nunca ter atendido tantos cachorros com cinomose. Ela explica que a contaminação se dá através de saliva, secreção de olho e narina, urina, fezes, e o cachorro infectado pode transmitir o vírus por até 90 dias.

Além disso, o clima mais frio colabora para que o vírus fique vivo por mais tempo. A doença tem quatro estágios: digestivo, respiratório, cutâneo e neurológico (cujas sequelas são irreversíveis). Entretanto, os sintomas não aparecem necessariamente nessa ordem.

Todos os cães estão suscetíveis à doença. Não existe medicação retroviral – que combata o vírus – para a cinomose. O que há é um tratamento de suporte – longo e oneroso. Luísa ressalta que o segredo está na prevenção. Fazer a limpeza e a desinfecção dos ambientes é importante, mas não suficiente. A vacina polivalente, que deve ser aplicada anualmente, é a solução: “Vacinação é a chave de tudo. E a qualidade da vacina é fundamental.”

A veterinária só trabalha com vacinas éticas (importadas). “Sugiro que as pessoas dividam o valor da vacina (importada custa em torno de R$ 65) pelos dias do ano. É algo irrisório.” Para a aplicação da vacina, o cachorro precisa estar saudável, devendo passar por exame clínico prévio. “Muitas coisas podem interferir na eficácia da vacina. Então, indico sempre procurar um profissional para esclarecer dúvidas.”

Detectada cedo, a doença pode ter cura

A estudante universitária Ágata Souza de Jesus, 19, ama animais. Ela tem cinco cachorros em casa e leva ração no carro para alimentar os cães de rua. Certo dia, um cachorro preto entrou em seu pátio e lá ficou durante a noite. Pela manhã, Ágata percebeu que ele estava com muita secreção nos olhos e no nariz, espirrando também. A jovem pesquisou esses sintomas e viu que poderia ser cinomose. “Fiquei preocupada com ele, claro, mas com os meus outros também.” Com a ajuda da ONG Os Salvadores, Ágata levou o cão a uma médica veterinária, que prescreveu medicamentos. O tratamento foi feito, e ele está bem. Segue na casa da jovem pelo menos até encontrar um lar definitivo.

Com história semelhante, a professora Fabiane Koch está sempre atenta aos animais abandonados. Ela é voluntária da ONG Os Salvadores desde 2016. No início do mês de maio, nas proximidades do Motel 2001, encontrou um cachorro preto que parecia cansado. “Estava cabisbaixo. Quando olhei, ele caiu no chão. Corri para ajudar.”

Ele estava com secreção nos olhos e no nariz e com baba na boca. Fabiane pegou o cão e levou para a casa de uma amiga. Ele foi atendido por uma veterinária, fez exames e foi medicado. Contudo, o desfecho dessa história foi diferente. “Ele estava comendo bem, mas não parava mais em pé. A cabeça balançava, a doença já estava no estado neurológico.” Após longo tratamento, em 28 de maio, ele faleceu.

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