Escritor publicará monografia sobre a história de Taquari

Novo trabalho de João Paulo da Fontoura será lançado até setembro

Em frente à biblioteca do escritório, o descontraído historiador gesticula enquanto fala acerca do terceiro livro | Foto: Pedro Harry Dias Flores

A pesquisa já foi concluída. O texto está praticamente finalizado. Nos últimos dias, João Paulo da Fontoura tem se dedicado à revisão da obra que logo sairá do forno. Restam pequenos ajustes para o envio do conteúdo à gráfica que fará a impressão do terceiro livro do autor de “Dai Velas aos Largos Ventos” e “1893 – a Soma de Todos os Ódios”.

O novo trabalho de João Paulo, titular da cadeira nº 26 da Academia Literária do Vale do Taquari (Alivat), versa sobre a história de Taquari, que no próximo dia 4 de julho completa 170 anos de emancipação política. “É uma monografia do município, que parte de 1500 e chega até 2010”, resume o historiador, nascido em São Sepé e radicado em Taquari desde 1980.

A obra, cujo título ainda não está definido, se divide em quatro partes. Na primeira, o autor faz um breve retrospecto histórico do Rio Grande do Sul. “Depois, trago uma visão onírica da Taquari de 1500, quando o Brasil é descoberto. Falo sobre as tribos indígenas, mais precisamente dos arachanes ou patos, que povoavam nossas terras.”

No terceiro capítulo, o ponto de largada é 1764, ano da formação do povoado de Taquari – o sexto a se constituir no Rio Grande do Sul. “Na época, chamava-se ‘Tebiquary’, que em língua indígena quer dizer ‘rio do barranco fundo’. Com o tempo, virou ‘Taquari’, termo muito comum no tupi-guarani, que significa ‘rio das taquaras’ e dá nome a vários acidentes geográficos no Brasil.”

A partir daí, Fontoura discorre cronologicamente sobre fatos e personagens marcantes da história do município. Ao longo do texto, traz informações curiosas, muitas delas desconhecidas do público em geral. “A mãe de Getúlio Vargas, poucos sabem, nasceu aqui. Sim, Cândida Dornelles Vargas era taquariense. Da mesma forma, Olmir Stocker, guitarrista e compositor de mais de 1.500 músicas, entre elas ‘O Caderninho’, um dos sucessos da Jovem Guarda. Por obra do acaso, o circo em que sua mãe trabalhava estava em Taquari quando ele veio ao mundo. Falei com Olmir pela internet e contei que essa história estaria no livro. Ele se mostrou muito feliz e interessado.”

O ano de 1849, que assinala a instalação da vila de Taquari, ganha destaque na sequência cronológica. “Foi quando as freguesias de Taquari e Santo Amaro se desmembraram de Triunfo, criando-se o nosso município.” Quanto à data, segundo João Paulo, não há polêmica. Embora, por exemplo, Octávio Augusto de Faria mencione em sua “Monografia do Município de Taquari” o dia 4 de agosto como o da fundação, 4 de julho é, segundo Fontoura, a data correta. “Assim registrou Riograndino da Costa e Silva, que não poupou dinheiro em seu trabalho, tendo ido inclusive ao Rio de Janeiro pegar cópias de documentos”, justifica, referindo-se ao autor de “São José de Taquari – a História de Minha Terra”.

As obras de Octávio e Riograndino, somadas ao acervo de “O Taquaryense”, constituíram-se nas principais fontes de pesquisa de João Paulo durante os dois anos em que realizou a coleta de dados. “Antes de escritor, sou um leitor voraz. Leio de tudo. Então, o processo de pesquisa, que muitos consideram cansativo, foi para mim extremamente prazeroso.”

No fim do livro, o escritor traz curiosidades da história do município e um estudo genealógico daqueles que, no entendimento dele, são os três maiores taquarienses do século passado: Arthur da Costa e Silva, Adroaldo Mesquita da Costa e Lauro Pereira Guimarães. Por Lauro, Fontoura nutre uma admiração especial. Não por acaso, escolheu-o como patrono de sua cadeira na Alivat. “Um colendo intelectual, escritor, juris-
ta e político que em vida tanto honrou a terra onde nasceu.”

O lançamento do novo livro deve acontecer em agosto ou setembro. “Faltam ser feitos alguns reparos, acréscimos, coisa pouca. Também estou buscando o apoio da administração municipal, que revelou interesse através da Sabrina [Freitas, coordenadora de Cultura] e do Maneco [prefeito]. Creio que, dentro de dois ou três meses, ele já esteja publicado.”

Serão impressos de 800 a 1.000 exemplares. “Espero com essa obra contribuir para a preservação de nossa história, de nossa identidade. Daqui a 50, 100 anos, quando não estiver mais por aqui, espero ser lido. Assim, continuarei a dar minha colaboração para a terra que tão bem me acolheu.”

O autor e sua obra

Filho de Salis Fontoura e Ursulina Maria da Fontoura, João Paulo da Fontoura nasceu em 25 de fevereiro de 1950, na cidade de São Sepé. Desde a infância, tem grande paixão por livros. Após a aposentadoria, o ávido leitor tranformou-se em escritor, publicando, em 2012, seu primeiro trabalho. “Dai Velas aos Largos Ventos” trata, em forma de romance, da vinda dos ilhéus açorianos ao Rio Grande do Sul por volta de 1750.

Em 2015, Fontoura lançou “1893 – a Soma de Todos os Ódios”, obra que “desnuda as faces de personagens históricos da cruenta Revolução Federalista”. Depois de concluí-la, dedicou-se a outros dois trabalhos, os quais não chega a considerar como livros: “Defensa – uma Ideia, uma Indústria, uma Paixão” e “Estudo Genealógico de Salis Francisco da Fontoura”.

Formado em engenharia mecânica, João Paulo veio para Taquari em 1980, a fim de trabalhar na antiga Defensa, onde permaneceu por 20 anos. Após, montou uma pequena indústria gráfica em São Leopoldo, ali ficando por mais 10 anos.

Um comentário sobre “Escritor publicará monografia sobre a história de Taquari

  1. É com prazer, que vejo noticias, publicadas neste prestigiado, jornal, já que o acompanho, desde dos anos 60, quando tive o privilégio te fazer parte do quadro de colaboradores, quando ainda era dirigido pelos saudosos Plínio Saraiva e Peri Saraiva .
    Bons tempos.

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