Ovoposição de moscas provoca queda de frutas das árvores

Cada vez mais percebido, problema vem do desequilíbrio ambiental e pode ser diminuído com medidas de controle

Forma eficaz de evitar proliferação do inseto é enterrar frutos caídos | Foto: Anna Precht

Principal agente de derrubada das frutas, a mosca está cada vez mais presente, e em maior quantidade, nos pomares. A consequência disso é o apodrecimento das frutas antes mesmo de amadurecidas.

O técnico em agropecuária da Emater/RS Alberto Bischoff explica que o ciclo da mosca tem de 50 a 60 dias dependendo da época do ano. Basicamente, funciona assim: a mosca põe os ovos embaixo da casca da fruta, e eles levam em média três dias para eclodirem; em 12 dias a fruta costuma cair e, no chão, a larva penetra o solo, vira pupa e, em 15 dias, se transforma em adulta.

“A mosca sempre existiu, mas atualmente, em virtude de um desequilíbrio ambiental causado pelo próprio homem, as pessoas estão percebendo uma maior proliferação”, comenta. Cada fruta é atacada por um tipo de mosca. De modo geral, a mosca fêmea é fecundada uma única vez e põe de 300 a 800 ovos. “Por isso, não se pode pensar só em colocar veneno e matar a mosca adulta.”

Uma solução, então, seria barrar a transformação da pupa em mosca, enterrando as frutas que caíram no solo em um buraco de, no mínimo, 30cm de profundidade, ou colocá-las dentro d’água. Outra alternativa, mais simples, seria fazer um buraco mais raso, com uma camada de areia no fundo (para não acumular água) e uma tela fina por cima (2 mm de malha). “A larva sai da fruta, passa pela tela, vai para areia, se tranforma em pupa e, a seguir, em mosca, sendo que a mesma não consegue voltar à superficie, pois a tela impede”, detalha o técnico.

Alberto destaca ainda que, costumeiramente, no meio natural, não se percebe tanta mosca e explica que isso se deve à serrapilheira, camada formada pela deposição dos restos de plantas e acúmulo de material orgânico vivo que reveste superficialmente o solo. “Além da presença de inimigos naturais, como fungos, a serrapilheira tem um cheiro forte, que a mosca, com excelente olfato, sente a nível de copa”, explica, ressaltando a importância de se deixar uma camada de folhas no solo dos pomares, não varrê-lo, como se costuma fazer nos jardins.

Em grandes pomares, diz Alberto, o quebra-vento é uma alternativa, já que é uma barreira que as moscas não atravessam. “Deve-se cercar o pomar com renques de uns cinco metros de largura”, ensina, acrescentando que “a ideia é pensar na prevenção antes do controle”, completa.

Em termos de controle das moscas em árvores frutíferas, se fala muito nas armadilhas, sejam elas prontas ou feitas com garrafas pet. Já que as larvas precisam de proteínas e açúcares para se criar, as pessoas colocam nesses recipientes suco de fruta, doce cheiroso, melaço de cana, etc para atraí-las. Mas isso precisa ser trocado a cada sete dias. “O que mais atrai a mosca é a proteína hidrolisada (5 g) com bórax (4 g) e água (100 ml), que dura em torno de quatro a cinco meses”, revela, explicando que, de vez em quando, é preciso peneirar, separar as moscas e recolocar a mistura no recipiente. “Nessa linha de isca atrativa, na região, o melhor produto, que mais funciona, é o Cera Trap, mas ele é caro”, comenta.

Mesmo com as alternativas trazidas, ainda há quem prefira utilizar agrotóxico. Neste caso, o técnico em agropecuária explica que é preciso saber que a mosca costuma fazer ovoposição de manhã cedo, no lado da árvore que pega sol, devendo se pulverizar levando isso em consideração. Há ainda a possibilidade de se ensacar as frutas para que a mosca não ponha seus ovos. Alberto conta que existem sacos próprios para isso à venda, feitos de papel protegido por cera (tipo papel manteiga), mas que é possível fazer inclusive com sacos plásticos transparentes ou até mesmo com sacolas de mercado. Ensacadas, as frutas vão suar, e a dica é cortar o plástico embaixo, pois, de maneira geral, as moscas não conseguem entrar. “Dá trabalho, mas esse é um dos melhores processos”, garante.

Controle exige dedicação

O empresário Daniel Reis percebe o problema das moscas nas árvores de frutas cítricas que ficam atrás de sua oficina. Por causa disso, ele disse já ter perdido uma laranjeira, que ficou sem nenhuma fruta. Para conseguir “salvar os frutos”, Daniel tem colocado armadilhas de garrafa pet e trocado o suco do interior com certa frequência, além de recolher todas as frutas que caem no chão. “Procurei na internet o que podia fazer. Troquei as iscas mais seguido e consegui aproveitar os frutos, mas é algo que precisa de dedicação”, afirma o empresário.

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